quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Angústia



ANGÚSTIA

Podre, escárnio,
Vida imunda,
Cheia de asco,
Dor profunda...

Tanto querido,
Muito sonhado,
Nada obtive,
Nada alcançado!

Tanta pobreza,
Muita miséria,
Ostenta riqueza,
Esbanja nobreza!

Mundo perverso,
De pouco sabor,
Tudo ao inverso,
Cheio de dor.

Vida, que vida!
Tudo perdido
E há muito,
Outra querida!

Vida perdida,
De muito labor,
Tanto queria,
Viver com amor...

Queria que Deus,
Um pouco me desse,
Portanto meu pai,
Rezo uma prece:

Ave Maria,
Mãe de Jesus,
Mulher que queria,
Encher-nos de luz.

Ave meu Pai,
Filho de Maria,
                       Sei que nos ama,
Salva-me antes que tardia.

Perdão meu Deus,
Te amo Jesus,
Sei que por amor,
Morrestes na cruz!

José Maurílio Boaventura
Abril de 1967.


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Contemplação





 CONTEMPLAÇÃO

No além
Contemplo o infinito,
Vejo toda a beleza,
Que o poeta dele pinta.

Vejo toda grandeza
Barrada pelo horizonte,
Vejo o manto azul,
Que do céu é a fonte.

Vejo serras,
Planícies e planaltos,
Vejo fontes e rios,
Florestas e desertos.

Metrópoles e povoados,
Vendo ali a multidão,
Ricos e pobres amontoados,
Muitos na desilusão.

Em minha alma
De amor abre o peito,
Por Aquele que o criou,
Que de puro amor é feito.

José Maurílio Boaventura
Setembro de 1968
í

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Com Setenta Anos


COM SETENTA ANOS

Os sessenta completei
Que coisa louca!
Nesta idade cheguei,
Falam que ainda é pouca!
E mais dez ainda somei,

Depois dos sessenta dá medo,
A corrida é desenfreada,
Porém dizem que é cedo,
Para o fim da jornada.

Globalização,
Corrida atrevida,
Na procura da perfeição,
Tudo sob medida.

A idade é companheira,
Desde o ponto primário,
Porém, passa ligeira
E nos tornam sexagenários.

Os dias chegam e vão,
O tempo que é amável,
Que passa ligeiro
E se torna implacável,
Mas um bom companheiro!

Dos anos que passaram,
Que à felicidade presta,
Muitos me amaram,
Talvez menos me odiaram,
A muitos amei...
E um saldo de vida ainda me resta!

José Maurílio Boaventura
Agosto de 2018





domingo, 15 de setembro de 2019

O Galope






 O GALOPE

O vento bate fresco e forte em meu rosto,
Meu corpo sacode em um balanço ritmado,
Invade o meu ser uma sentimento de liberdade,
Sinto-me forte sem medo algum.

Me acho o primeiro dos humanos,
Enquanto o cavalo joga rápido na dianteira as patas,
E na sequência as traseiras,
Sobre ele sinto-me livre como um pássaro nas matas!

Este animal imponente como nenhum na terra,
Resistente e altaneiro,
Que a importância nele encerra,
Com seu galope elegante e ligeiro.

Sobre este animal de porte altivo,
Correndo veloz como um felino,
Cavalo e cavaleiro em harmonia e confiança...
E no balanço deste galope, sinto-me outra vez criança.

José Maurílio Boaventura
Janeiro de 2018



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Ermitão Contemporâneo

ERMITÃO CONTEMPORÂNEO
Aprendi a viver assim,
Mesmo que na multidão,
Isolo em mim,
Buscando a solidão.
Sempre alguém diz amigo,
Verdadeiro e solidário,
Mas conto apenas comigo,
Vivendo um eterno solitário!
Parece que envelheci,
Meu corpo, minha cabeça,
Mas na alma eu impedi,
Que este sintoma apareça.
Por tudo que eu vivi,
Saudade do que passou,
Minha vida, meu amores,
Do passado que restou!
Continuo sendo eu,
Em todo o tempo ido,
Neste mundo que já não é meu,
Nesta realidade aqui perdido!
José Maurílio Boaventura
Julho de 2001