domingo, 27 de setembro de 2020

 

 

EU E A VIDA

 

Tento a vida,

A vida me tenta,

Choro por ela

E ela chora por mim.

 

Vivo dela,

Ela em mim,

Estudo a vida,

A vida me estuda.

 

Lutarei por ela

E ela por mim,

Serei feliz nela

E ela em mim.

 

Eu fui dela o começo,

Ela o começo para mim,

Será dela o arremesso,

Que me leva a um fim.

 

José Maurílio Boaventura

Julho de 1967.

domingo, 20 de setembro de 2020

 

ERRO DE PERCURSO

 

Você ruboriza, treme...

Não te encosto mais,

Te gosto muito,

Porém, pura demais.

 

Se abraço você escorrega,

Se beijar você desmaia!

Nem posso prosseguir,

Morreria na praia.

 

Deixa-me louco,

Não sei se é pureza,

Ou sede do meu corpo!

E com esta sua beleza,

Deixa ainda mais louco.

 

Mesmo te amando,

Desisti, seria grande o pecado,

Mas foi maior a minha tristeza,

Se entregou a outro namorado...

Eu ingênuo preservava a sua pureza!

 

José Maurílio Boaventura

Dezembro de 1965

 

 

sábado, 5 de setembro de 2020

 

 

BUSCANDO UM NORTE

 

                                                           Um dia perdido em meu eu,

Não sabia de mim, nem de você,

Estava triste e não sonhava mais,

Sem razão, nem sabia o porquê.

 

Sem rumo buscava um norte,

Eu não queria mais ninguém,

Mas o destino deu-me a sorte

E o acaso entregou-me você.

 

A procura de alguém!

Eu me sentia sem nada,

Agora eu tenho tudo,

Já tenho você,

Minha doce amada!

 

Quem não queria ninguém,

Está agora apaixonado,

O seu nome é meu bem,

E estou feliz ao seu lado!

 

José Maurílio Boaventura

Junho de 1989

 

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

 



                        PEQUENO ABANDONADO.

 

                       Moro na rua,

                       Não tenho ninguém,

                        Fui abandonado,

                        Quem pode assim amar?

 

                        No frio da madrugada,

                        Choro o meu destino,

                        No piso de uma calçada,

                        Ninguém vê este menino.

 

                        No longo dia,

Choro pela fome,

Não tenho comida,

Nem tenho sobrenome.

 

Queria ser rico,

Para o pobre alimentar,

Aos doentes apoiar,

E a mim alguém amar!

 

José Maurílio Boaventura

Maio de 1968.