QUE FAÇO PAI
Te vejo neste quarto,
Nesta cama preso,
O sofrimento é farto
E me sinto indefeso.
Sempre foi para mim,
Da família o esteio,
Agora te vejo assim,
Sofrido, partido ao meio!
Assim fica o meu coração,
Pela alegria que existia,
Hoje no peito a comoção,
A dor da família.
Eu sei querido pai,
Que chega o fim da história,
Não tem jeito, você vai,
Mas não do coração e da memória.
Pai, te amo e não aceito,
Peço a Deus e não tenho resposta,
Rezo e falo a seu respeito,
Ele não me virará assim as costas,
Ele tem para você outra proposta
E eu não aceito, porém ela será
imposta.
José Maurílio Boaventura
Março de 2001
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