OLHOS DE MENINO
Não sei se a vejo,
Com olhos de amigo,
Sinto no corpo o desejo
E em guerra comigo,
A definir como lhe ver.
Seu corpo o meu céu,
Nele as curvas bem traçadas,
Sua boca uma arte desenhada,
Sonho nela o gosto do mel.
Esquecer que trago em mim,
O oposto de você,
Que sou masculino:
Tentar querer não te querer,
É ter olhos e mente de menino.
Meu corpo todo em febre
E num olhar indecente,
Este meu ser hoje celebra,
Ouço da natureza:
Fiz-me um adolescente.
José Maurílio Boaventura
Março de 2002
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